Arquivo da categoria: culinária

Pizza Grelhada

O post está comprido mas a receita é fácil.

Os ingredientes básicos são: água, fermento, açúcar, sal, farinha de trigo e azeite. O resto é tempero.

Em termos de equipamentos, você precisará de uma batedeira com batedor de massa (em forma de gancho) , uma chapa de ferro ou alumínio, ou forma de pizza que será usada sobre o fogão mesmo, e precisará usar o forno por uns 5 minutos.

1ª Parte – fermentando

Misture num copo 3/4 de xíc. de água morna, 1 sachê de fermento biológico seco, meia colher de chá de açúcar e mexa bem. Deixe descansar por 5 minutos. Nesse período, o aspecto vai mudando assim:

feermento1 fermento2 fermento3 fermento4 *Se a água estiver quente demais o fermento vai cozinhar, e se estiver fria, o fermento ficará cru. Em ambos os casos, a pizza vai pro brejo. Aqui em casa, deixo o copo d’água 21 segundos no microondas e dá certo.

2ª Parte – batendo

Enquanto o fermento descansa pelos 5 minutos aí de cima, coloque na batedeira 2 xíc. de farinha de trigo e 1 colher de chá de sal, bata rapidamente só pra misturar. Depois, despeje a água fermentada e bata por 5 minutos. Primeiro na velocidade baixa pra misturar, depois em velocidade alta por 2 minutos pra formar essa bola:

IMG_20160706_185839188 No começo parece que vai dar errado. Primeiro a farinha se espalha pra todo lado e parece que aquele farelo nunca vai virar uma bola. Mas a medida que a bola vai se formando, ela própria “limpa” toda a farinha espalhada e a bacia da batedeira fica limpinha exatamente como na foto. O problema a essa altura é que a bola vai batendo violentamente nas laterais da bacia e, se a batedeira for de plástico como a minha, parece que vai desmontar. Nessa hora, ore e abrace a bacia fervorosamente.

3ª Parte – descansando

Retire a bola da batedeira e coloque numa vasilha com um fio de azeite. passe a bola pelo azeite para que não resseque por forra. Cubra com um filme plástico e deixe descansa por duas horas (já esqueci por uma noite inteira e foi tudo bem). Ela vai dobrar de tamanho.

IMG_20160629_190232974 IMG_20160629_210514133 Depois deixe na geladeira por pelo menos 1h, mas pode ficar até 3 dias. Com essa massa dá pra fazer duas pizzas.

4ª Parte – abrindo

Polvilhe farinha de trigo nas mãos,  na mesa e no rolo de abrir massa (pode usar uma garrafa de vinho pra abrir a massa). Retire metade da massa e amasse delicadamente para retirar as bolhas de ar de dentro da massa ( a outra metade pode voltar pra geladeira e ser usada outro dia). Com o rolo, abra a massa no tamanho e formato da sua grelha ou forma de pizza. Em média 30cm de diâmetro. A minha é quadrada por causa da grelha. Pode deixar a massa torta mesmo que é rústico.

IMG_20160707_195144453

IMG_20160707_195635131

5ª Parte – grelhando

Pode ser uma grelha de ferro ou mesmo uma forma de pizza. No caso da forma de pizza, use-a emborcada sobre o fogo, pois é preciso que as bordas da massa fiquem livres para poder levantar com facilidade. Esquente bem a grelha no fogão. Dobre a massa ao meio e, segurando pelas pontas, transfira da mesa para a grelha, desdobrando em seguida (essa parte é tensa e eu não consegui tirar foto). Em pouco tempo a massa vai desgrudar sozinha e formar bolhas. Levante as bordas pra ver se está chamuscada por baixo. Esse é o ponto, meio queimadinha.

IMG_20160707_195757518 IMG_20160707_195845498

6ª Parte – colocando a cobertura

Com a massa virada na grelha, distribua a cobertura conforme a sua escolha no lado que foi grelhado. Deixe o fogo ligado enquanto isso, porque daí dá uma tostada do outro lado também. Só nào pode demorar muito distribuindo a cobertura. Usei tomate pelado de lata, mussarela ralada, azeitona preta, orégano e uma misturinha de alho, azeite e manjericão batido no processador. Essa misturinha é o segredo pra deixar a pizza muito saborosa. E o que sobra vira tempero pra qualquer coisa. É bom demais.IMG_20160707_200457752 IMG_20160707_200812651 (podia ter ficado mais queimadinha. Essa ficou muito pálida.)

6ª Parte – assando

Transfira a pizza da grelha pro forno. Não precisa usar forma de pizza, basta colocar direto na grade do forno porque como a massa foi grelhada antes, estará firme o suficiente.

IMG_20160707_200910510(2)

Voilà!

IMG_20160707_201822697

 

Anúncios

Não que eu seja influenciável

Passei um fim de semana revirando a vida inteira da dona desse blog. Exceto pelos 4 filhos e 2 cachorros, tudo o mais me empolgou tão imensamente que semana passada fiz minha primeira pizza, comecei uma hortinha e comprei uma composteira! E já estou sonhando com o meu próprio cereal, katchup e pasta de amendoim.

Sobre a pizza, não teve a parte poética de sovar usando apenas mãos e amor porque já estraguei muita massa tentando brincar disso. Essa aqui eu bati na batedeira com aquele batedor especial em forma de gancho. Ela formou essa bola sozinha, graças a Deus. Então foi só passar um pouco de óleo pra não ressecar, deixar descançar pra crescer, colocar na geladeira pra fixar o sabor e… bem, a novela da pizza eu explico depois. Só adianto que ficou tipo assim a-melhor-pizza-do-planeta-de-todos-os-tempos.

IMG_20160629_190232974 IMG_20160629_210514133 IMG_20160701_195903432

O lixo orgânico lá de casa agora tem destino nobre: alimentar minhas singelas 300 minhocas australianas. Fofo, não? Tem promoção de composteiras de todos os tamanhos na Morada da Floresta. Essa é pra duas pessoas que comam pouco em casa.

IMG_20160704_165134362

E o húmus das minhas minhocas vai alimentar a hortinha, que por enquanto se resume a esse humilde vaso na janela com um pezinho de salsa, cebolinha, rúcula e manjericão. Mas não subestimem. É assim que nascem os impérios.

IMG-20160630-WA0010 (1)

Marido está me zoando que o que eu gastei até agora dava pra comprar rúcula pro resto da vida. Ele não entende, o que está em jogo é romper com o sistema, é tomar a pílula vermelha. Ou era a azul? Não lembro.

Enfim, a questão é sair da já saturada lógica capitalista. O problema é que o sistema é foda, parceiro. Até sair dele tem preço. E custa caro. E no final, você nem sai de verdade. É só uma ideologia que eu quero pra viver.

E viva Cazuza. E viva o Capitão Nascimento.

Arroz belo, recatado e do lar

Então o almoço da reunião de família caiu no seu colo, e você não está nada a fim de gastar dinheiros alimentando o povo todo, certo? Te entendo, é a crise.

Faz arroz pra todo mundo, amiga-dona-de-casa! Enfeitando dá pra dizer que é arroz de forno. Ou nem coloca no forno e chama de risoto. Isso se não tiver nenhum aspirante a masterchef na família. Porque daí já entra o raio do arroz arbóreo e a sua economia vai pras cucuias.

Você só precisa de três coisas: o arroz, o frango e os enfeites.

O arroz é aquele branquinho só na cebola e alho de de todo dia.

O frango é aquela bandeja de 1 kg de filé de peito que sempre tem promoção no mercado. Bota aquilo na panela de pressão, não precisa nem descongelar, e joga todos os temperos da casa. TO-DOS. Isso é muito importante porque é aí que está a alma do seu arroz. Não poupe cebola, alho, pimentão, tomate, curry, pimenta-do-reino, salsa, cebolinha, louro, vinagre, enfim, o mundo. Só não coloque água demais, pra não virar sopa. A ideia é que ao término do cozimento, fique só um caldinho concentrado que vai servir pra umedecer e dar gosto no arroz. Daí deixa cozinhando na pressão o maior tempão, até que a carne se desmanche sozinha e você não tenha nem que desfiar.

Os enfeites são ervilha em lata, mussarela ralada, presunto picado e cenoura ralada e passada na água fervendo pra dar uma amolecida. Se bem que fazendo o arroz já com a cenoura, não precisa nem ter esse trabalho. Só agora pensei nisso.

20160507_185949

Daí mistura tudo e cobre com queijo ralado, ovo cozido, azeite e orégano.  Pode levar no forno pra dourar um pouquinho o queijo ralado. IMG_0676

Ou então aproveita que tá quente e come logo porque o queijo derrete de qualquer jeito.IMG_0678

E pronto. Mesmo na crise a família brasileira está alimentada e feliz. Porque esse risoto é de frango mas não é coxinha.

Expectativa x Realidade

Borcht com Pirochki do blog La Cucinetta:

borpiro

Sopa vermelha com pastelzinho de repolho desta que vos fala: 20150211_224320

Não preciso nem dizer que estou explodindo de orgulho de mim, né? Consegui imitar uma receita da minha ídola salve salve!Só faltou essa luz maravilhosa da foto, porque acabei minha receita quase meia noite.

Repararam no detalhe do pastel? Eu fiz pastel pela primeira vez na vida. E a massa desgrudou da minha mão, graças a Deus! Aleluia! Aleluia! Eu tinha trauma de fazer massa. Da última vez que tentei, a intenção era fazer nhoque, mas aquela gororoba não desgrudava da minha mão por nada. Tasquei tanta farinha de trigo que o nhoque ficou um horror. De lá pra cá, nunca mais fiz uma massa. E agora, pela primeira vez na vida, a massa desgrudou da minha mão! Vocês tem noção da felicidade que é isso, minha gente? Então eu consegui fazer a bola como manda o figurino. E guardei na geladeira, e espalhei farinha de trigo e abri a massa com uma garrafa de vinho. Como uma pessoa adulta, madura, vivida, que sabe que abrir uma massa é das coisas mais básicas da vida. E deu tudo inacreditavelmente certo. É um milagre!

Voltando ao blog La Cucinetta, ele sempre me faz suspirar de admiração.  E o post de ontem foi particularmente especial porque me lembrou um filme lindo, Lunchbox. É uma história linda, com uma comida linda. Você sai do cinema babando por legumes e verduras. Por isso entendi quando a Ana Elisa disse que uma refeição pra ela não existe se não tiver verduras e legumes.

A minha rotina alimentar passa a léguas de distância disso. Meu amor pelo blog La Cucinetta é totalmente platônico. Não sei sequer fazer massa. Mas hoje brinquei de vegetariana e foi ótimo. Agora tenho um panelão gigante dessa sopa vermelha. Dá pra ser vegetariana até o Carnaval.

Será que tudo que eu gosto…

Comer é uma coisa realmente muito legal que inventaram. Tudo bem que a invenção do homo sapiens foi uma bola fora do Criador, porque né, convenhamos, a gente tá destruindo o resto da criação. Não somos lá tão sapiens assim, afinal. Mas fazer a gente comer, ai Deus, como eu te agradeço por isso! Ôh coisa boa, salve, salve.

Só a parte de engordar que eu achei meio sádico da parte de Deus. Totalmente desnecessário, podia ter aliviado, mas não.  Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula (Al Pacino falando de Deus no filme O Advogado do Diabo).

Calorias à parte, estou que nem pinto no lixo. Parece até que vou pra Paris. Mas é só um fim de semana em São Paulo na restaurant week! Dois dias inteirinhos dedicados ao meu pecado predileto, a gula.

Vou comer rezando.

sprw

Ah, o amor…

 (almofadas da Lu Gastal)

Ontem marido e eu fomos ao cinema assistir Deus da Carnificina. Filmaço! Muito apropriado para o dia dos namorados. Recomendo. Uma comédia mordaz que serve para nos lembrar que namoros levam a casamentos, e que casamentos redundam em filhos, e que talvez seja melhor não dar o primeiro passo. De minha parte, saí pela tangente e parei no meio do caminho, depois do namoro e antes dos filhos. Vou ficando por aqui que é mais seguro. O problema é perder o dia dos namorados sem sequer ganhar um dia das mães como prêmio de consolação.

Marido segue ignorando solenemente o dia dos namorados, e dorme tranquilo da vida. Só mesmo a taquicardia provocada pelas borrifadas de Aerolin pra fazê-lo lembrar que tem coração. Marido, se botar seu amor na vitrine ele nem vai valer R$1,99.

Como lidar, Brasil?

Tentando resgatar esse sentimento lindo que nos toma no dia dos namorados, fui procurar o que fazer nesse vasto celeiro de ideias cagadas iluminadas que é a internet…

 (pão com ovo do cute food for kids)

Aproveitei a última garraga de vinho que sobrou na minha adega, depois do queijos e vinhos e fondue e raclete que dei semana passada aqui em casa para uns amigos. Na verdade não sobrou. Eu escondi deliberadamente o melhor vinho da casa dos meus amigos bebuns. Desculpe amigos, mas precisava garantir o meu dia dos namorados. E vocês já estavam mesmo tão bêbados, né lindões?

Aproveitei uma peça de filé mignon que morava no freezer, um gorgonzola que também sobrou do queijos e vinhos e fiz umas adaptações dessa receita de filé mignon ao molho gorgonzola com tomates recheados.

Então amiga, se nada mais te resta a esperar desse dia dos namorados, se joga na cozinha, faça um belo jantar, à la Festa de Babete, porque a comida salva almas. Bem na vibe machista de revista feminina dos anos 40.

Vem comigo Amélia, ops, amiga, me acompanha.

1 – Tempere uma peça de filé mignon com tudo o que tiver em casa. Eu usei sal, noz moscada, pimenta do reino, alecrim, mostarda e um cálice de vinho tinto. Deixe por pelo menos 2h. Eu deixei de um dia pro outro.

2 – pegue uns tomates inteiros, retire o miolo, faça uma misturinha desse miolo picado com cebola e alho picados, tempere com orégano, sal, pimenta do reino e um fio de azeite.

3 – recheie os tomates com a mistura e tampe com queijo ralado.

4 – frite a carne no azeite. Use uma panela alta pra sujar menos o fogão, porque não pode tampar senão o vapor vai cozinhar a carne ao invés de dourar.

5 – leve ao forno a carne e os tomates, em recipientes separados. Aprendi a forrar o pirex da carne com papel alumínio pra sujar menos e facilitar na hora de lavar. Mas não é pra embrulhar a carne no papel alumínio, é só pra proteger o pirex. Despeje sobre a carne o que sobrou dos temperos com vinho. A carne deve ficar no forno por cerca de 10 min. pra mal passada, ou 30 min. pra bem passada. Eu esqueci e acabei deixando 40 min., mas gostei. Assim que tirar a carne e os tomates do forno, espete uma folha de manjericão em cada tomate.

6 – enquanto a carne e os tomates assam, bata no liquidificador o molho de gorgonzola (100g de gorgonzola, 1 xíc. de leite, 50ml de creme de leite, 1 colher de sopa de  maizena, pimenta do reino). Frite brevemente uns cogumelos na panela que fritou a carne e despeje o molho de gorgonzola em seguida.

7 – Mexa até engrossar. Foi aí que abri mão do molho branquinho. Preferi fazê-lo na panela da carne pra aproveitar a crosta dourada da fritura. Meu molho ficou com uma cor linda e inédita para um molho de gorgonzola. E uma delícia. O melhor molho do mundo. Eu sou uma gênia.

7 – Retire o papel alumínio, despeje o molho sobre a carne e voilà!

Melhor que Rio Restaurant Week.

Raízes do Brasil

Depois do pão, do iogurte e da geleia, chegou a vez da tapioca em casa. É um barato esse lance de fazer em casa coisas que a gente sempre comprou prontas. Dá uma sensação de autonomia, sabe? E eu viajo na parada, me sinto reconstruindo o mundo pré-capitalista, as raízes do Brasil… Não é do livro do Sérgio Buarque de Holanda que estou falando. É dos índios mesmo.

Isso tudo foi só porque comprei aquele pó branco que vendem na feira e nem o nome eu sei…

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Falando em Raízes do Brasil, lá estava eu sozinha na sala, como de costume, sentada no sofá vendo o Rei na TV, e chorando. Não tem jeito, é bater o olho no velhinho de terno azul e branco pra eu ficar assim. Mas quer saber? Não sou maluca. Alguém nesse mundo me entende.

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Sim, caro leitor, eu chamei tapioca e Roberto Carlos de raízes do Brasil. Me deixa. E pra não perder a viagem, fica aí com umas fotinhos de roupas também, porque o capitalismo tem seu lado bom.

  (calça Modamania, blusa não lembro de onde, jaqueta perfecto vintage, coturno Arezzo, bolsa sem marca)

 (calça Colcci, camiseta x-site, blazer Lee Loo, tênis All Star, bolsa Mr Cat, lenço vintage)

a (blusa Folic, calça Animale, bolsa Sacada, sapatilha não se de onde)

  (camisa C&A, saia Sacada, cinto MBE, oxford Shop 126, bolsa Galpão 65)

  (vestido e bolsa Folic, sapatilha Paquetá)