Muitas coisas num post só

Gosto de frases plásticas, de coisas velhas, de molho, muito molho na comida. E de pão pra limpar o prato.

Cansei de laços em sapatilhas e de faixas marcando a cintura.

Tô com mania de velho. Até filme, os mais lindos são os que têm velhinhos:

– Conduzindo Miss Daisy – Uma velhinha orgulhosa que é obrigada a conviver com um motorista negro. conduzindo-miss-daisy

História Real – Um velhinho que resolve atravessar os EUA pilotando um trator para se reconciliar com o irmão.historia real

Desde que Otar Partiu – Uma velhinha que continua se correspondendo com o filho predileto que foi para Paris e ela não sabe que morreu.desde-que-otar-partiu

Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera – Um velhinho japonês que mora no meio de um lago com seu discípulo.primavera-verao-outono-inverno-e-primavera_poster_2

Adeus, Lenin! – uma velhinha em Berlim Oriental “casada com o socialismo” que passou 8 meses em coma e não sabe da queda do muro e do fim regime. adeus lenin

– Uma Família em Tóquio – Um casal de velhinhos que sai de seu vilarejo e decide visitar os filhos em Tóquio. uma-familia-em-toquio

Philomena – Uma velhinha muito católica que teve o filho retirado de seus braços há 50 anos por freiras que vendiam crianças para adoção. philomena

– Nebraska – Um velhinho que resolve fazer uma longa viagem a pé para retirar um prêmio de um milhão que ele acredita ter ganhado. nebraska

E por falar em velhice, minha pele mudou. Demorei a me dar conta, mas mudou. Definitiva e progressivamente. Finjo naturalidade, por dignidade ou por medo de lutar contra o tempo. É uma batalha perdida. Então, só resta a dignidade, como se pudesse ser digno o que não tem remédio.

Já a verve, continua a mesma. De pôia. Respostas sagazes só me ocorrem com  delay de algumas horas. Tenho ensaiado reações mais intempestivas, mas até isso requer cálculo. Semana passada troquei gritos com a bruxa do terceiro andar. Desde a guerra das janelas, temos virado a cara uma para a outra deliberadamente. Daí ela bateu a porta do prédio na minha cara. Aí já era demais! Passei alguns segundos no hall processando o ocorrido em meio ao estrondo que reverberou por todo o prédio. E resolvi que a minha indignação devia ser demonstrada para o mundo. Voltei, abri a porta e, aos gritos, perguntei se ela queria quebrar a porta. Daí ela gritou de volta, e eu gritei de novo, e ela continuou gritando. Mas eu não recuei. Gritei mais e mais.  Uma verdadeira ópera!

No final das contas, entre falar e calar, ainda prefiro esta última.

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