Tudo acontece na Praça São Salvador

saosalvador Foto de Paulo Cavalcante.

banco da praça

Já instituí que os almoços de domingo serão na feira da praça. As barraquinhas servem feijoada, rabada, costela com agrião, angu à baiana, e por aí vai. E não pago couvert artísitco pelo chorinho ao vivo no coreto. Aliás, é um verdadeiro festival de samba e choro. Tem o grupo “Arruma o coreto”, e agora tem também o “Bagunça o meu coreto” e o “Batuque no coreto”. Enfim, o coreto da praça São Salvador é mais badalado que o palco mundo.

Falando em música, a Praça São Salvador é um verdadeiro celeiro cultural. Teve uma época que eu sempre dava uma paradinha na praça às terças-feiras para ver um grupo que tocava umas músicas curiosas usando instrumentos de sopro muito exuberantes. Era difícil identificar o que era aquilo. Parecia meio cigano, meio Kill Bill… Depois descobri que era música balcânica! E o grupo era o  GO EAST ORKESTAR que fazia seus ensaios na praça.

Teve um domingo que eu levantei bem cedo, sabe-se lá porque, e fui ao mercado comprar pão. Passando pela praça, ouvi o som de um sax. E não é que tinha um músico solitário tocando por volta das 7h da manhã!

Aliás, falando em músicos solitários, demorei a descobrir de onde vinha o forró que eu ouvia na praça mesmo estando vazia. Era de um caminhão de mudança que sempre estacionava lá. Fechado dentro do baú, o motorista tocava seu acordeon. Às vezes ele deixava o baú aberto, e lá dentro um outro  acompanhava com triângulo completando o show. Depois ele trocou o caminhão por uma van toda incrementada. Depois acho que apareceu com uma caminhonete menor. Agora não sei mais.

sanfona no bauFoto daqui.

Toda semana tem o encontro de malabares na praça, e uma vez por mês artistas de vários circos diferentes se encontram lá pra uma apresentação especial, o Palco Aberto.

malabaresEMC Imagens daqui.

Mas nem só de música e circo vive essa praça. Ela também respira brumas lacrimogênias.

prot_abr Foto daqui. A Praça São Salvador é o QG das manifestações que rumam para o Palácio Guanabara.

A reunião dos Black blocs

Lá ia eu fazer umas comprinhas no Zona Sul e pagar um rim por meia dúzia de ovos orgânicos, quando dei de cara com a tropa de choque cercando a praça e um helicóptero sobrevoando o local.  Aos pés do chafariz, um pequeno grupo discutia acaloradamente. Desviei do Zona Sul e fui bisbilhotar do que se tratava. No meio da rodinha tinha uns meninos com a toca ninja levantada até a altura da testa, mostrando o rosto, e com as devidas máscaras de gás penduradas no pescoço. Eles debatiam sobre os rumos do grupo, a organização da agenda de manifestações, e a criação de uma fundo para pagamento de fianças, já que tinha um black bloc ainda preso em Bangu porque era morador de rua e não tinha como pagar a fiança. Sobre a organização da agenda de atividades, uma ala radical ansiava por ação, os mais jovens, enquanto outra mais moderada defendia a importância da estratégia. Sobre a criação do fundo, parece que já tem uma conta bancária com essa finalidade.  Voltei pro Zona Sul, comprei meus ovos e fui embora. Mais tarde começaram os gritos e as explosões de bomba de gás. Os meninos têm sede de fazer história.

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A defesa da Combi

combi Foto daqui.

Tava uma gritaria tão grande que eu me dei o trabalho de  ir até a praça só pra ver do que se tratava. Metade do efetivo da Guarda Municipal estava lá, mais um reboque, o povo alvoroçado e a combi do podrão no epicentro da celeuma. O pessoal do choque de ordem tentava içar a combi, enquanto o povo da praça se dividia ente bater boca com os guardas e puxar gritos de guerra contra tudo isso que está aí. Por fim, conseguiram colocar a combi no reboque. Foi quando o povo fechou a rua entoando “seu polícia, podrão é uma delícia”. Pronto, não passava ninguém. O pretexto para contestar a ação da polícia era o fato da Combi estar apenas estacionada, inocentemente estacionada. Tudo bem que ela podia não estar exercendo atividade ilegal naquele exato momento, mas convenhamos, o podrão é completamente ilegal (peleguismo feelings) e aquela combi só fecha quando aparece a Guarda Municipal. O impasse entrou madrugada adentro. Não vi o desfecho, só sei que a combi voltou. Agora, quando a barra está limpa, a combi retoma a atividade mas com as luzes apagadas. O podrão passou a ser preparado no escuro. Sabe Deus o que vai parar dentro do pão. A guarda Municipal, por sua vez, tem batido cartão na praça quase todas as noites, pra pegar a combi no flagra. E fica assim o jogo de gato e rato. Quanto a mim, voltei pra casa pra ver Amor à vida, porque uma novela com crase é algo a se levar a sério.

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No último sábado teve baile de máscaras seguido, claro, de invasão ao palácio.

baile de mascaras

Enfim, muita arte e revolução. Uma beleza, não?

1002237_685292164820284_86105648_n Foto daqui.

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