O Mundo sem Mulheres

Semana passada, vi minha escola no jornal O Globo. Ontem, minha melhor amiga de infância estava no Fantástico, no quadro O Mundo sem Mulheres. Sinto que a fama está me rondando. Qualquer dia me descobrem.

O susto foi tão grande quando vi a Ju no Fantástico, que nem escutei direito o que ela dizia. Me perdi nas lembranças da infância, e no tanto que a nossas vidas se afastaram. Em que momento nos desviamos assim? Ela abraçou o tradicional combo marido+filhos+casa+cachorro, mora na mesma região da nossa infância, deve ter ainda contato com um monte de gente que eu sequer lembro.

Na verdade, ela seguiu o curso natural da vida. Fui eu que me desgarrei. Primeiro, foi um desgarramento compulsório, quando meus pais se mudaram pra Natal/RN. Mas lembro que ainda trocávamos cartas, cartas mesmo, daquelas que se coloca no correio. A gente sentia muitas saudades uma da outra. Mas quando voltei, quatro anos depois, parecia que uma vida tinha se passado. Já éramos adolescentes naquela altura, morando em bairros diferentes, estudando em escolas diferentes e com amigos diferentes. Acabei sentindo o peso do tempo e da distância.

Só fomos nos reencontrar novamente quase quinze anos depois, graças ao advento do Orkut. Ela agora era mãe, falava da filhinha com uma ternura sem fim, estava completamente envolvida nas questões da maternidade. Não conseguimos marcar nada, sequer um encontro. Os finais de semana eram todos tomados por compromissos sociais como mãe. Não tinha mais espaço pro passado. Parecia que a nossa amizade pertencia a alguma outra vida, espiritisticamente falando.

Agora, ruminando sobre as nossas escolhas, estava lembrando que, desde pequenas, eu gostava de brincar de escola ou de rica, usando inclusive os sapatos de salto alto da mãe dela. A Ju segurava as bonecas no colo como bebês e gostava de brincar de casinha. Eu só queria inventar roupas de modelo pra minha Susi, e sonhava em trabalhar com uma mesa cheia de papéis. Hoje, se pudesse, tacava fogo na papelada da minha mesa.

Nos desgarramos voluntária e naturalmente. Nossas escolhas eram diferentes desde sempre.

A Ju é a primeira da fila da esquerda, de vestido floral.

Ju

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