De saia amarela na cabeça

Em 2006, meus dois amigos que adoravam novidade descobriram um trem chamado blog. Imediatamente, fizeram seus blogs e começaram um festival de autoelogios na rede mundial. Cada um contava para o mundo como o outro era uma pessoa legal, maravilhosa. 

Na febre, meu amigo saiu fazendo blog pra tudo e acabou fazendo um pro nosso grupo de 4 amigas e um “bendito é o fruto”. O nome era blá blá blá, e o objetivo era… era… sei lá.  Arredia a novidades tecnológicas, lá fui eu fazer meu primeiro e único post no finado blog.

CHEGUEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 Oiêêêê?!……… Aloooouuuuu……….. Tem alguém aí?……………….

Como fazer uma entrada triunfal sem aplausos? Sem saber se terá alguém do outro lado nos lendo? Claro que tem os outros 4 patetas donos desse blog (eu sou a pateta nº5). Mas eles não valem, né… São café-com-leite.

Bem, já que é pra escrever, senão o Lê morre de desgosto, vamos fingir que existe uma platéia enoooorme. Senão, não tem graça.

Platéia, aplauda-me agora!

clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap.

Faz de conta que foram 587 linhas de “clap clap” (aplausos) calorosos! Alucinados!

Nossa! Estão todos se rasgando por mim! Calma gente, calma… Já chega.

Pronto. Estou saindo da nave espacial (aquela da Xuxa). O Lê é o Dengue. Oi, Dengue!

A Lya é aquela tartaruguinha baixinha, acho que era o Praga…

A Gi é um contra-regra anônimo, daqueles que absolutamente ninguém vê. Oi, ilustre desconhecida!

E a Su… Ai Jizuis, o que eu faço com a Su? Sei lá… não tô muito inspirada hoje.

Pronto. Chega de palhaçada com vcs 4. Vou falar agora com o meu público, tá? Dá licença.

Sabe, queridos fãs que me assistem, quer dizer, lêem, estou até agora tentando entender o que nos leva a fazer isso. Blogs. O Lê me apareceu com essa moda, e eu fiquei aqui abismada…

Quando eu era pequena, juntava todas as minhas bonecas, e fingia que era uma multidão imensa me assistindo. E eu era a Xuxa, claro. Tinha até uma saia amarela que eu colocava na cabeça. Era o meu cabelo loiro. Até caía nos olhos…

Já quando eu escrevia um diário, era o contrário. Tinha até chavinha! Afinal de contas, eram segredos. Até onde sei, a premissa de um segredo é que ninguém mais saiba de sua existência, né? Então, isso aqui pode ser tudo, menos diário.

A gente está aqui pq quer ser visto. Sabe Deus por que, mas a gente quer ser visto. Não bastam os amigos e a mãe dizendo que nossos desenhos são lindos. A gente quer que todo mundo veja…

Não sou poeta, cronista, escritora, enfim… Mas já percebi que isso tb não é problema. A gente põe a saia amarela na cabeça, e fica “sissi”.

A nova onda é brincar de ser famoso. Agora é chique ser comum. Graças aos BBBs, tá assim ó de comuns na TV. É gente comum pra todo lado.

O grande barato é que quando um comum sobe no palco e mostra sua “normalidade”, todo mundo se identifica. ‘Olha lá! Ela é igualzinha a mim!’

Daí, fico me perguntando o que é que eu tô fazendo aqui? Diacho… Não sou escritora! Pra quê que eu tô aqui escrevendo? Eu hein…

E vc? Tá fazendo o que lendo isso?

20/09/2006

Passados quase 6 anos, modernizei-me. Minha nova implicância é com esse tal de Facebook.

Uma resposta para “De saia amarela na cabeça

  1. Que emoção ler esse texto tantos anos depois!❤

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