Classe média sofre

Amanhã faria 1 mês que estou pedalando no Aterro todos os dias de manhã. Faria. Hoje fui assaltada e me levaram a bicicleta e o relógio.

Comprar 1 bicicleta a cada 6 meses por uns R$200,00 no walmart já estava previsto no orçamento. Afinal, no Rio de Janeiro ninguém é classe média impunemente. Temos um programa social chamado redistribuição de renda compulsória. Só não pensava que fosse assim tão, digamos, proativo. 1 mês, minha gente, foi o tempo que durou minha bicicleta! O que é isso?! Tudo bem que eu tenho outra (era uma promoção imperdível), mas vou ter que contar com a sorte suprema de não me roubarem por pelo menos 1 ano, pra não ferrar a minha previsão de custo.  Ou então, passo a correr ao invés de pedalar. Tênis 36 não deve ser muito atrativo.

Mas voltemos ao assalto. Por sorte, ainda estava perto de casa, dava pra voltar andando. Se me roubam lá na Urca, teria que pedir carona no ônibus porque eu estava sem um centavo sequer, caminhando contra o vento… Pensei em voltar correndo pela areia, pra salvar pelo menos a cota de trabalho aeróbico do dia. Mas desisti porque ainda estava muito trêmula. Parei no carro da PM que sempre fica estacionado ali no final da praia do Flamengo, perto do Porcão, e relatei o que tinha acontecido, só pra ele colocar isso em alguma estatística, sei lá. Daí chegou um cara que tinha visto o assalto e estava indignado. Aumentou a voz pro policial, ficou reclamando que o Aterro não tem policiamento. O policial se encrespou com ele e os dois bateram boca.

Tentei tranquilizá-los, afinal, foi só uma bicicletinha do walmart e um relógio fake. E tem a questão da redistribuição compulsória de renda, mas essa parte eu não falei, pra eles não me acharem maluca. Mas quem sabe a minha bicicleta não acaba parando na mão de alguém que estava precisando e não tinha como comprar? Vai que ela vira o ganha pão de alguém? Ainda mais agora que o bilhete único aumentou pra quase R$5,00… Isso sim é um roubo!

Mas o cara estava realmente indignado com o MEU assalto. Até me comoveu, mas também me envergonhou. Não temos essa empatia toda com os massacres que acontecem nas favelas todos os dias. Estava divagando profundamente comigo mesma sobre essas questões sociais enquanto os dois quase se engalfinhavam na minha frente.

Por fim, num tom todo ameaçador pro policial, o cara disse que ia fazer contatos com umas pessoas importantes que ele conhece e me perguntou o que eu faria, a quem iria recorrer, QUEM eu conhecia.

PAUSA.

Primeiro me deprimi, pois achei que realmente não conhecia absolutamente ninguém importante, e isso no Brasil é pior que não ter CPF. Depois lembrei que não sou tão mal relacionada assim. Conheço um policial federal. Mas ele sequer anda com a carteira pra não ser assassinado em caso de assalto. E o que raios poderia fazer pra achar a minha bicicleta?!? Lembrei também da minha amiga promotora e fiquei imaginando a cena:

– Amiga-poderosa-do-judiciário, acabaram de roubar a minha bicicleta no Aterro!

– E eu com isso, sua pobre!?! Quem mandou você não estudar, não ser picona do judiciário pra ter porte de armas?

FIM DA PAUSA

Tudo o que eu consegui responder foi:

– Tenho um blog.

O cara deve estar achando que eu sou a famosa da internet, que vou promover uma passeata na Vieira Souto pela paz no Rio…

Enquanto isso, afogo minhas mágoas nas roupas.

 

 

Sofro muito preconceito de cor quando coloco esse sapato. É duro ser fashion.

1 – camisa Folic que veio do Básico Bazar, calça Claudia Simões, bolsa Mr. Cat, o sapato e o cinto eu não lembro.

2 – blusa sem marca, calça MBX, sapatilha Arezzo, bolsa Corpo&Alma.

3 – blusa não lembro de onde, cardigan Gregory, calça Corpo&Alma, sapatilha Paquetá, bolsa Victor Hugo.

4 – blusa e calça Folic, sapatilha C&A, bolsa MBX que veio do Adoro Brechó.

5 – blusa Sacada, saia Folic, sapato Paquetá, bolsa Victo Hugo que veio do brechó Usei e Enjoei.

Obs: Meu pai acabou de ligar. Está na delegacia porque o ônibus dele foi assaltado. Levaram dinheiro e celular. Ô rapaziada, o meu pai não é classe média, mal se segura na nova classe C! Vamos aliviar aí, né?

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Uma resposta para “Classe média sofre

  1. vou comentar novamente só pelo prazer de ser uma amiga preocupada, útil e doce:

    volta lá na instituição e vá fazer caridade de verdade;
    cuidado com o tênis, em todos os sentidos:
    1) ele foi mais caro que a bicicleta;
    2) ele tem molinhas;
    3) seu joelho todo errado + sua habilidade para correr + molinhas = hein, hein, hein? hahauauahahahau

    conselhos de amiga, pq me sinto muito bem quando eu sou útil. 🙂

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