Diário da viagem – 03 de janeiro

O diário dessa viagem está começando hoje porque só agora me recuperei da sequência de achaques que começou com a garganta ardendo, depois tosse, gripe, sinusite, enxaqueca e dor da barriga. Até ontem, o meu turismo foi por todas as farmácias de Curitiba e Joinville. Mas agora estou ótima.

Hoje eu tomei café-da-manhã em Blumenau, almocei em Brusque e jantei em Tijucas.

Blumenau: seguindo a indicação de um taxista, encontramos uma pousada bem bonitinha, construída em enchaimel original, bem diferente daquele monte de fakes que se vê pela cidade. Mas a parte ruim veio no dia seguinte: o café-da-manhã era uma bomba. Pão frencês duro, de frios só queijo prato e presunto e o suco de laranja era uma vergonha, aguado e melado. Aliás, pedi um suco de abacaxi num restaurante e me serviram o mesmo refresco aguado e melado, só o preço era de suco de verdade. Mas passemos ao lado bom da cidade, pra não me chamarem de ranzinza. O mais legal foi a visita ao museu da Glass Park, onde eles mostram o processo de fabricação dos cristais. Tudo bem que eu não pude ver demonstração nenhuma porque resolvi visitar a fábrica justamente no último dia das férias coletivas dos funcionários. Enfim, pelo menos passeei no museu e vi o todo processo por fotinhos e desenhos nas paredes. E aproveitei pra comprar coisinhas. Tem até cristal de Murano feito aqui mesmo no Brasil, mais precisamente ali naquela fábrica. Fantástico.

Brusque: Passei de passagem. Parei na cidade só pra comer. Mas deu pra ver a pujança da indústria têxtil local. A cidade parece ter mais fábricas de tecidos do que habitantes. Na saída de lá, passei por outras cidades, cada uma mais rica que a outra. A cidade seguinte era um polo de calçados. Até parei numa loja de fábrica que ficava à beira da estrada. A loja era bonitona, chique, e os sapatos eram bem estilosos também. Os caras sabem fazer as coisas. Mas não comprei nada não, porque sou comedida. Depois veio uma cidade produtora de cerâmicas, outra de hortaliças, e por aí vai. É um interior muito rico esse de Santa Catarina.

Tijucas: Já no final do dia, tínhamos que parar em qualquer lugar porque marido estava cansado de dirigir e o fominha não queria dividir o volante comigo. Resultado, fomos parar na praia mais feia de Santa Catarina, quiçá do Brasil. Desculpa aí galera de Tijucas, mas ô lugar feio, hein! É mais feio que Sepetiba. Aliás, depois da obra, Sepetiba nem é mais feia, se vocês querem saber.

Tijucas é uma cidade invertida. Começa pelo fato da BR 101 passar por cima dela ao invés de cortá-la como acontece com todas as outras cidades. Parece que um figurão da família mais tradicional da cidade conseguiu alterar o projeto da BR 101 fazendo com que a rodovia não cortasse a cidade e sim se elevasse sobre ela. O resultado foi um viaduto de cerca de 600m sobre a cidade, de ponta a ponta. Até aí, ok. O mais curioso é que a cidade começa toda bonitinha perto da BR, com ruas largas, casas bonitas, praças, tudo arrumadinho, e vai favelizando à medida que se aproxima do mar! Nas ruas próximas à beira mar, o calçamento some e o que se vê é uma terra horrorosa, tipo praia de Santos. As casas vão virando casebres e a favela se instala rente ao mar. Se bem que não tem um “rente” ao mar, porque  o mar mesmo só se vê no horizonte. Até lá, é uma faixa de lama infinita.

Mas passemos para a nova pousada arranjada também na base do improviso. Era um hotel tipo esses de beira de estrada de filmes americanos, com aquela fileira de quartos térreos que dão prum pátio a céu aberto. O hotel ficava quase em baixo do viaduto da BR 101. ou seja, dormimos com um trânsito super light sobre as nossas cabeças. Mas tudo bem, o quarto tinha ar condicionado, era só fechar a janela. Foi o que fizemos, quando fomos surpreendidos por um marimbondo gigante! Saí correndo pelo pátio aos berros enquanto marido desferia golpes de toalha pelo ar, distribuindo toalhadas pelas paredes. Resolvido isso, foi a vez das cinzas de cigarros que empesteavam o quarto. Portato, janela aberta significava barulho de trânsito, e janela fechada, catinga de cigarro. Escolhemos o silêncio fedorento e ligamos o ventilador, porque a vida é feita de escolhas. No banheiro, fui supreendida por um sabonete usado, provavelmente pelo último hóspede, que ainda apresentava até os fios de cabelo do sujeito. Era o fundo do poço. Na hora de dormir, fiquei assistindo televisão até mais tarde quando comecei a ouvir barulhos de móveis sendo arrastados no quarto ao lado. Depois ouvi passos no pátio externo. Juro, comecei a suar frio pensando naqueles de filmes de suspense americanos que sempre tem cenas de assassinato em quartos de hotéis exatamente como esse. Levantei, me certifiquei de que a porta estava mesmo trancada e voltei pra cama pensando no filme “Onde os fracos não tem vez”, com Javier Bardem.

Dia seguinte, levantamos acampamento. Destino: Urubici.

2 Respostas para “Diário da viagem – 03 de janeiro

  1. mala, nem vou comentar da viagem porque, ne…pelo menos é férias e pelo menos é viagem, haha (eu to de folga, lalala).

    seguinte, assunto mega importante: tem visto os e-mails da Folic? eu sim. 50% de desconto mais 15% no pagamento à vista. como não posso comprar, vê se não gasta tudo nas férias pra poder comprar na Folic, tá? (a ideia é eu satisfazer minha sede de consumo com as suas compras. logo, colabore).

  2. Gente, quanta diversão, né? rs

    Das outras cidades já ouvi falar, mas de Urubici não. Tenho medo, mas fiquei curiosa. rs

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