A vida sem um guarda-chuva

Era um looksinho básico que sequer foto merecia. Mas essa coisa de ser só mais um silva que a estrela não brilha estava me incomodando. Daí, caprichei nos ouros, porque nada como um douradão pra fazer qualquer silva se achar rico. Os árabes é que sabem das coisas.

 (blusa Sacada, calça Ecletic, trench coat Sandpiper, echarpe vintage, coturno Arezzo, bolsa Cantão)

 

Pois bem, devidamente brilhosa, lá fui eu para o trabalho. Na verdade, ia, mas não fui. Me deparei com um dilúvio do lado de fora, e com um vazio de guarda-chuva dentro da bolsa. Porque tenho um guarda-chuva que mora na bolsa, residência fixa mesmo. Mas ele desapareceu completamente, só deixou a capinha vazia. Revirei a casa toda e nada.

Por sorte, não moro tão longe assim do trabalho. Não dá nem vinte pratas o táxi. Mas a rica aqui é canguinha, muquirana, sovina. Em termos de locomoção, prezo por gastar o mínimo possível. Motivo pelo qual táxi nunca é minha primeira opção. Então, apelei para exercícios de desapego do meu rico dinheirinho, entoei o mantra do “eu tenho dinheiro, eu tenho dinheiro, eu tenho dinheiro” depois engatei um “não vou ficar pobre por isso” mais umas vinte vezes, e enfim, liguei para a Ouro Táxi (aliás, tudo a ver com o meu look, convenhamos).

Acontece que miséria pouca é bobagem. Se eu estava com pena de me desfazer dos meus pobres dinheirinhos, para a Ouro Táxi eles não valiam um vintém.

– Senhora Claudia, aguarde que estaremos retornando a ligação com o número do seu táxi.

Você retornou a ligação, querido leitor? Nem a Ouro Táxi. Esperei tanto que até deu tempo de tirar essas fotinhos que ora vos apresento. Lembrei então de um ponto de táxi que fica na praça perto da minha casa. Mas você tem o telefone deles, caro leitor? Nem eu. Catei nos ímãs da geladeira, e achei pelo menos o telefone da farmácia da praça.

Alô, bom dia! Meu nome é Claudia e eu estou ligando pra essa farmácia, mas não quero menhum remédio não. Sabe o que é? (nesse momento, voz de cachorro que caiu da mudança) Será que alguém aí teria o telefone do ponto de táxi da praça, pelamordedeus?

– Puxa senhora, não temos não. Mas se a senhora ligar daqui há cinco minutos, eu mando um entregador ir lá ver pra senhora.

Me desmanchei em agradecimentos. Bendisse mil vezes a farmácia da praça, e amaldiçoei com todas as minhas forças a Ouro Táxi. Aqueles mercenários. Por fim, consegui o telefone do táxi da praça, mas não adiantou nada, porque ninguém atendia. Raios.

Era hora de apelar. Saquei da manga o plano TAM (Terrorista Árabe Muçulmana), e lá fui eu pro trabalho. Debaixo de chuva, mas cheia de estilo.

A propósito, se vocês virem na mídia alguma explosão numa cooperativa de táxi, eu assumo a autoria do atentado.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s