Meus amores

Cada ano era um diferente, sempre escolhidos pelo mesmo critério: colega de sala.  Minha amiga e eu acordávamos isso já no começo do ano, pra evitar acidentes. Ela escolhia o dela e eu o meu. Nunca tivemos conflitos. Tudo muito civilizado.

Sabe-se lá por que, mas toda hora nossas mães nos mudavam de escola. Do jardim até a 5ª série, foram 5 escolas diferentes. Mas ficamos sempre juntas, caindo na mesma sala inclusive. Isso era fundamental. Até que minha família se mudou para o outro lado do mundo. Só aí tive que me preocupar em fazer amizades na escola. Até então, éramos minha amiga e eu, e bastava. Mesmo não sendo muito chegada a brincar de casinha, sempre fui adepta de uma panelinha.

Voltemos aos meus amores. Não lembro de nenhum dos eleitos, exceto um. O da terceira série, que durou até a quarta. Foi uma relação longa. Ele era moreno e tinha cabelo de índio. Lindo. Minha amiga dizia que ele tinha um cabeção. Implicante. É de longa data que tenho amigos com espírito de porco.

Ele tinha uma irmã linda de morrer. Acho que era gêmea. A menina tinha um cabelão de índia que batia na cintura, usava uma sainha pregueada bem curtinha, com um short por baixo. Aliás, falando em saia, não sei como me virei naqueles tempos. Tinha verdadeiro pavor de mostrar o toque retrô das minhas pernas palito. Como não sou poltrona nem nada, pernas finas foram meu maior tormento, e as calças bag, minha salvação.

Voltemos aos meus amores. Tratei de tratá-lo bem mal, pra ele nunca sonhar que eu gostava dele. Manter o segredo era tão importante quanto escolher o eleito de cada ano. A exceção foi ele, que permaneceu no por dois anos no posto, até minha mãe me trocar de colégio, pra variar. Mas com relação ao segredo, mantive a tradição. Eu morria de amores pelo menino, mas morria mais ainda com o medo dele descobrir. Minha paixonite aguda foi toda em segredo. Sempre foi assim. Sou boa nisso de manter segredos.

Depois fui crescendo, porque a gente tem que amadurecer na vida. E me apaixonei perdidamente… pelo Roberto Carlos. O rei, que fique claro. Detesto futebol. Mas ele nem sonha. Já contei que sou boa nisso de manter segredos?

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5 Respostas para “Meus amores

  1. Poxa, Claudinha…
    Tantas “Emoções” aqui, lendo “Detalhes” da sua vida…
    Fico aqui pensando, será que vc está “Falando sério”? kkk 😛

  2. Toda vez que vc fala de segredo eu lembro que vc tem blog ultra secreto que não libera pra ninguém. Faço uma idéia do naipe das coisas que vc relata lá, porque ne, os iguais se reconhecem. haha

    By the way, adorei o comentário de Leina.

  3. sabia que vc ia dar piti…hahahahahaha, me divirto tanto! hahaha (sim, voltei aqui só pra ver o piti, tamanha era a certeza q ia rolar, hahahaha).

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