Uma pôia na Prefeitura

Cumprido o prazo de espera de dois meses, a pôia dirigiu-se à sala 1104 para pegar a planta baixa de seu apartamento arquivada na sede da Prefeitura dessa ilustríssima cidade.

Salinha pequena, com duas atendentes e uma máquina de tirar senha. Ao aproximar-se da máquina, sempre muito atenta, a pôia reparou num papelzinho colado na parede com os seguintes dizeres:

“Antes de retirar a sua senha, informe-se sobre o assunto do seu interesse.”

A pôia então olhou para as atendentes, esperando que alguém lhe desse a tal informação antes de tirar a senha. Como as atendentes a ignoravam, a pôia resolveu aguardar respeitosamente que as atendentes concluíssem o atendimento, para que então a informassem sabe-se lá o que, para que então a pôia pudesse retirar a senha, para que somente então, pudesse aguardar para ser atendida.

E lá ficou a gênia esperando, esperando, esperando…

Entra na sala uma mulher, que não é pôia nem nada, foi direto na máquina de senha, puxou o papelzinho com o seu número da sorte e sentou-se.

A pôia entrou em pânico. Se tirasse outro papelzinho agora, produziria provas contra si mesma, e estaria fadada pelo resto da vida a ficar atrás da outra que tinha acabado de chegar.

Assim que uma atendente desocupou, foi logo apertando o botão, e brilhou no painel eletrônico a senha da outra que tinha acabado de chegar.

A pôia resolveu mostrar que tem sangue nas veias. Com o dedo em riste, bradou altiva:

– Senhora, eu não retirei senha alguma em respeito ao recado que manda que nos informemos antes de fazê-lo, motivo pelo qual estou eu aqui, há muito mais tempo que essa senhora, porém, sem senha alguma. 

A facínora sorriu para a pôia, e limitou-se a dizer com desdém:

– Ah, tudo bem vai, você chegou nem tem tanto tempo assim que eu vi…

Se a senhora me viu chegar, sabe então que foi antes dela!

A megera, debochada, facínora da atendente continuou a sorrir, tranquila da vida, e foi atender a outra, sem dar-se ao trabalho sequer de argumentar qualquer coisa, no melhor estilo “aham Claudia, senta lá”.

Sabe o que a pôia fez? Uma cara bem feia, armou uma tromba… e sentou. Mas isso com a cara bem feia, cabe ressaltar, que era pra mostrar que ela não era nenhuma pôia.

Por fim, aquela-que-não-deve-ser-nomeada resolveu atendê-la. Pegou o número do seu requerimento, e lá se foi para o arquivo procurar a planta baixa do apartamento da pôia. Voltou de mãos abanando.

– Querida, não temos nada aqui do seu prédio. De quando é a construção?

– Da década de 1930.

– Ah, aqui é a partir de 1950. Tenta ali no Arquivo Geral da Cidade, ao lado do prédio dos Correios, filhinha.

– Que tal contarem isso para as pessoas antes que elas esperem por DOIS MESES? (Essa parte foi só em pensamento. A pôia saiu caladinha da Silva. Mas com a cara bem feia, cabe ressaltar.)

2 Respostas para “Uma pôia na Prefeitura

  1. Claro, pq reclamar não é devido e nem é nosso direito.
    Eu falava umas boas merdas pra filha da puta, que não ia resolver o meu problema, mas deixaria ela bem irritada também.
    Mas, reclamar pra quê, não era culpa dela, né?😛

  2. Sinto cheiro de provocação no comentário de Autor…usando palavras de chulas e tudo, viu? Muito brabo, vamos respeitar. haha

    Eu ri tanto desse texto, ele é tão a sua cara…uma coisa assim bem pateta…hahaha
    Mas, justiça seja feita, percebo avanços consideráveis, falou com a menina e tudo! Parabéns (não é deboche).

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