O Cozido

– Mas por que raios eu inventei de fazer isso?

Foram três vezes na vida que eu me fiz essa pergunta. A primeira foi com o nhoque de inhame. Eu nunca tinha feito nhoque. Não gosto de nhoque. Mas tinha um monte de inhame em casa, e não queria fazer um ensopadinho ou um purezinho besta. Resultado: já era quase meia-noite, a farinha de trigo da casa tinha ido toda embora nas minhas tentativas desesperadas de fazer aquela gosma desgrudar da minha mão. O nhoque ficou com gosto de farinha. Se contasse que era de inhame ninguém acreditava.

Depois teve o frango parisiense com um tal de molho bechamel. A certa altura da noite eu cheguei à seguinte encruzilhada: segurava a panela no fogo com uma das mãos, enquanto com a outra mexia a farinha de trigo até ela virar uma gosminha dourada; com uma terceira mão eu deveria despejar o leite fervido com temperos enquanto uma quarta mão segurava a peneira para não deixar que as partes sólidas caíssem junto com o leite na panela com a gosminha de farinha de trigo. Tudo ao mesmo tempo! Visualizou o drama? Mas devo confessar, o resultado foi divino. Um dia, quando me aposentar, faço essa receita de novo.

Daí, porque brasileiro não tem memória mesmo, e porque eu tenho muito tempo livre, inventei de fazer uma coisinha assim super básica: cozido. Meu enteado até perguntou quanto tempo levaria. E eu, candidamente, estimei em duas horas no máximo. Tolinha. Comecei às 18h15 e só fui terminar às 22h. Juro que não estou de drama.

Aliás, estou arbitrando que o que eu fiz foi um cozido pelo trabalho que deu. Então, como esse blog é meu, resolvi promover o meu ensopadão à categoria de cozido. Não tinha todas as partes do porco que deveria, tinha só duas lingüiças de paio (que por sua vez se desintegraram no processo e acabaram virando lingüiça moída). A carne era de uma bandeja pronta do supermercado, daquelas que já vêm limpinhas e picadas, e não tem nem o nome da carne. Também não tinha banana da terra. Ao invés disso, inventei de colocar milho. Porque eu gosto de milho. Acho lindo milho.

Eu suma, meu cozido tinha: batata doce, batata inglesa, aipim, cenoura, abóbora, chuchu, couve, repolho, vagem, milho, carne, lingüiça, cebola, alho e…

Veja bem, eu podia não dizer, podia dar uma de natureba, tirar onda de saudável, mas sou mui honesta: tinha tempero pronto. Não resisti quando vi esse tempero novo da knoor. Tem até cheirinho de comida de verdade! Muito bom. Não pode ser de Deus um negócio desses. Pois bem, tasquei logo dois potinhos cancerígenos no meu cozido.

Por fim, às 22h ficou pronta minha obra. Parla!

Viram que tem até pirão de legumes? Aproveitei a água preciosa que cozinhou todos os legumes (um de cada vez, por isso demorou tanto). Agora, com essa montanha de comida (os potes são grandes), maridão e eu vamos comer cozido por uma semana.

Ah, teve outro ingrediente que eu ia esquecendo:

Pedacinhos de esmalte.

Uma resposta para “O Cozido

  1. O cozido já não tinha me interessado. Com esmalte então, super passo!😛

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