que é pra não acabar.

Da hidroginástica, fui direto comer pastel com caldo-de-cana numa feirinha perto da academia. O pastel era uma bosta, mas o caldo estava divino. À medida que o copo ia esvaziando, eu bebia bem devagarinho que era pra render mais.

Isso me lembra o episódio dos charutos de chocolate que dei pro marido. Quando a caixa estava cheia, era um charuto por dia pra cada um. Mas a caixa começou a esvaziar, lógico. Como não casei com Jesus Cristo, ao invés do milagre da multiplicação, marido inventou o milagre da divisão, e instituiu que passaria a ser um charuto pros dois por dia. Claro que a gente ficava brigando pela “metade maior”. Mas a caixa teimava em esvaziar perigosamente.  Então, marido resolveu que seria só uma mordidinha por noite. No final, simplesmente ninguém podia tocar na pontinha de chocolate que sobrou na caixa, que era pra não acabar. Nem sei como acabou. Algum enteado deve ter comido.

A mesma coisa foi com a vodka. Quando faltavam uns dois dedos para a garrafa de Absolut esvaziar completamente, marido comprou uma garrafa de Smirnoff e pronto. Estávamos proibidos de tocar na Absolut pra sempre. Ela está morando no freezer até hoje.

Ah sim, voltando pro caldo-de-cana. Tive uma grata surpresa quando a senhora encheu novamente o meu copo do nada. Quem dera isso tivesse acontecido com os charutos de chocolate e a vodka do meu freezer. Agradeci penhoradamente. Achei muito fofo ela encher o meu copo de novo do nada. Mas quem mandou eu inventar de ser simpática? Me estrepei de verde e amarelo, porque ela pensou que o agradecimento significasse que eu estava satisfeita, e dali em diante passou a ignorar o meu copo! Enchia o de todo mundo de novo, menos o meu.

Daí fiquei lá, jogada nessa vida, esticando as últimas gotinhas do meu caldo-de-cana, que era pra não acabar. Até que o que acabou foi a luz, e o carinha disse que não ia fazer mais caldo porque podia acabar moendo o braço dele. Saudades da Revolução Industrial…

Acabei meu caldo, voltei pra casa e abri o freezer. Lá estava a vodka que nunca vai acabar.

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Uma resposta para “que é pra não acabar.

  1. Eu também sou assim! Fico fazendo vidinha pra não acabarem as coisas. Hábito de criança, né? Ri sozinha aqui lendo a história dos charutinhos de chocolate 😉

    Bjs!

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