O corpo

Eu pensava que cuidava bem do meu. Na verdade, ainda penso, mas agora com algumas ressalvas. Isso foi depois da minha última crise de estômago, e mesmo assim, só porque ela me obrigou a abrir mão de parte da minha viagem de férias. Passo o ano todo esperando pelas férias, e quando ela chega, meu estômago me derruba? Fiquei chocada…

Mas voltemos ao corpo. Mantenho o meu magrinho, razoavelmente bem alongado e livre de intervenções estéticas agressivas à saúde. Estava toda crente que ia viver até os duzentos anos com esses “cuidados”. Mas o que se consegue garantir com isso é um bom cabide, as roupas caem bem e as pessoas elogiam.  Fico até me imaginando com 80 anos toda elegante, classuda, chique. Enfim, por fora, tudo sob controle.

Mas dentro desse cabide tem estômago, fígado, rins, útero, e uma tralha toda horrorosa, mas que precisa de cuidados, senão, adeus cabide para roupas bonitas. Como eu nunca vi esses órgãos do meu corpo, é um mistério que eles existam de verdade. E aí, médico pra que, né? Ele cuida de coisas que eu não vejo, e se não vejo, não existem.

Mas essas coisas invisíveis podem inviabilizar completamente a vida. Claro que eu só realizei isso quando vi minha viagem de férias quase rolar pelo ralo. Tudo por causa do meu estômago que mais uma vez me fez ir parar no hospital, sob acusação de maus tratos. Não que eu o trate mal de verdade. Mas de alguma maneira, ele é mais sensível que os estômagos normais. E com um estômago magoado a gente não pode brincar. Temendo retaliações, fiz de tudo pra agradá-lo. Passei a comer somente batata, cenoura e frango cozidos, biscoito de água, ameixa seca, banana assada e mamão. E tudo bem aos pouquinhos, tipo passarinho. Perdi 3 quilos em 1 semana. Mas consegui salvar o restante das minhas férias.

Agora já voltei a comer feito gente. Mas penso no meu estômago o tempo todo. Até converso com ele, negocio, discutimos a relação e tudo. Como prova do meu amor, dei um tempo no chocolate. No café-da-manhã leite puro, porque também estou com medo do café, e ração humana. Belisco alguma coisa a cada 3 horas. Ah, e nada de frituras, logicamente. Só na semana passada, que eu tive que comer uma cebola tipo aquelas do Outback, por causa de uma promoção do Oferta X. Comi aquele coquetel molotov rezando. Mas por sorte, não morri.

Toda essa novela sobre o estômago é pra falar da minha única promessa para 2011: cuidar bem do meu corpo, por dentro.  Portanto, médicos, aí vou eu. Preciso ter mais intimidade com os meus órgãos. Provavelmente, terei que fazer endoscopia. Estou me pelando de medo, mas ao menos veremos a cara desse estômago egocêntrico que já convive comigo há mais de 30 anos e passou os últimos 17 anos dando xiliques carente de atenção. Minha avó morreu de câncer no útero, então, também preciso dar uma olhada no meu com mais freqüência. Ontem já fui no clínico geral, pegar um atestado pra fazer a hidroginástica (que também comprei num pacote promocional do Oferta X, Imperdível, Peixe Urbano, sei lá), mas aproveitei pra conversar sobre outras coisinhas. Já estão agendados pra semana que vem um gastro e um dermatologista. Tem mais uma lista de médicos que preciso procurar. Vou ver indicações com meus amigos.

E não vai ter medo de agulha que me segure. Eu espero.

Uma resposta para “O corpo

  1. Apoiada!
    Veja todos os profissionais, faça uma seleção dos melhores e depois me passa os nomes, tá? (adoro cobaias disponíveis, aiai. Na verdade, da sua lista, só me interessam o dermato e o ginecologista).

    PS: depois do que Fernandinha contou sobre o estômago dela fiquei até com medo. Espero nunca ter de passar por dores assim.

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