O corpo da mulher e a evolução teleológica

Dia desses achei que estavam me olhando meio de banda na aula da pós. Mais precisamente na aula sobre questões de gênero. Foi depois que a professora perguntou a nossa opinião sobre a legalização do aborto, e eu repondi.

Mesmo depois de cursar Sociologia, ingressar na classe média e ter um marido ateu, ainda assim sou contra. A professora veio com aquele papo de que o corpo é da mulher. Taí um argumento que eu nunca entendi. Que o meu corpo é meu, isso eu estou careca de saber. Mas e o do feto, é meu também?  Se o feto e eu somos a mesma pessoa, isso fica tão confuso quanto a santíssima trindade. Aliás, outra coisa que eu também nunca entendi até hoje. Enfim, fiquei muito feliz hoje, quando estava zanzando pelos meus blog favoritos e descobri esse post , da Juliana Cunha que manda sempre muito bem no Já Matei por Menos. Então, ou eu não sou tão doida assim, OU, se sou, não estou sozinha. 

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Outra da pós. As duas últimas aulas foram com o coordenador do curso, e me deram uma vontade louca de  denunciar para o procon dos cursos de Sociologia.  Ocorre que o indivíduo conseguiu passar dois sábados inteiro fazendo pregação religiosa num curso que é de Sociologia! Pra quem não é de humanas, é o seguinte: a religião só entra na Sociologia como objeto de estudo. Professar fé em aula de Sociologia é tão apropriado quanto pregar o antissemitismo numa sinagoga. Eu quicava de raiva na cadeira, suava frio, revirava os olhos, estava quase possuída.  E o cara é o coordenador do curso, ou seja, reclamar com quem?

Por fim, abstraí do meu rico dinheirinho indo pro ralo e resolvi embarcar na onda do lunático pro tempo passar mais rápido. Depois de condenar com veemência a bigamia, o voto nulo, e especular sobre as “causas do homosexualismo”, inventou uma espécie de catolicismo panteísta. Não satisfeito, e sem citar nehuma referência bibliográfica reconhecida no ambiente acadêmico, ele juntou o criacionismo com o evolucionismo, resultando na tal  “teoria da evolução teleológica”.  Então o homem veio do macaco, mas foi porque Deus permitiu. Pronto. Resolveu a maior polêmica da humanidade. É um gênio.

Afinal, o que se espera de uma pós graduação em Soiologia? Um, espero relembrar os pontos principais da faculdade, já que com o tempo a gente vai esquecendo (principalmente eu que sou conhecida como a Dolly do Procurando Nemo); e dois, espero me atualizar sobre as novas teorias e releituras que estão circulando no ambiente acadêmico, os novos livro que viraram referência. Senti essa necessidade quando comecei a reparar nas provas dos concursos públicos autores que eu nunca tinha ouvido falar. Esse é o problema de humanas: num intervalo de quatro ou cinco anos afastado da academia, você vira um dinossauro.

Pra resolver esse problema, procurei um curso de pós graduação que se encaixasse no meu poquíssimo tempo livre. Enfim, é o preço que se paga pelas facilidades das facudades fast-food.

Vai uma Sociologia de botequim aí? Venha para a Universidade Gama Filho você também!

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